terça-feira, 8 de março de 2011

_Adeus.


            Essa seria a única frase que ela se lembraria de ouvir dos seus lábios, mesmo havendo tantas outras.
Jamile o olhou subir no ônibus e então se virou para ir embora.
                Fora a última vez que o vira, era essa a sensação que ela tinha.
                Ela se lembrava com perfeição de quando o conhecera ali na rodoviária. Ela estava trabalhando na recepção e ele estava chegando de viagem.
                Os dois sequer teriam se visto se a bolsa dele não tivesse sumido enquanto ele tomava água. Pablo então caminhou até ela e a olhou com raiva:
                _Vocês deviam colocar uma placa bem enorme logo na chegada para avisar que aqui existem ladrões.
                Jamile o olhou desinteressada e continuou fazendo o seu trabalho. Não se daria ao trabalho de responder aquele homem grosso e mal educado.
                _Roubaram a minha bolsa enquanto eu tomava água! – Ele disse alto. - Eu deixei a bolsa na cadeira e me levantei até o bebedouro, quando eu voltei já não tinha mais bolsa!
                _Senhor, nós não temos responsabilidades sobre as suas coisas a partir do momento que você saiu do ônibus.
                Ele a olhou com ódio nos olhos.
                _E também não podemos saber quem são os ladrões e evitar que eles entrem aqui. Isso é uma cidade grande e muitas pessoas viajam todos os dias. E se ainda quer um conselho, não fique perdendo tempo procurando, aqui é enorme... Você nunca vai encontrar!
                Ele a olhou com um olhar de desafio:
                _Veremos... – e então olhou para o crachá dela - senhora Jamile. -disse com ironia e se afastou.
                Jamile continuou fazendo o seu trabalho e o dia passou sem mais nenhuma novidade. Já estava terminando o seu turno quando Pablo voltou com um sorriso de orelha a orelha.
                _Nunca é uma palavra muito forte, Jamile. Se eu fosse você não a usaria mais.
                Jamile se virou para ver quem falava com ela e lá estava o rapaz de mais cedo com a bolsa não mão. Pablo estendeu a mão para ela ainda sorrindo:
                _Sou Pablo e trabalho como detive. Acho que você me deve um drinque.
                Jamile riu:
                _Detetive? Eu devia suspeitar.
                Ela então começou a andar, ele a seguiu.
                _Está me devendo um drinque.
                Jamile o ignorou.
                _Vamos Jamile... O seu turno já acabou não é? Eu não tenho nada para fazer agora e temos que comemorar.
                _Eu nem te conheço. -Ela disse mal humorada.
                _Eu sou Pablo, tenho 28 anos, trabalho como detetive e estou aqui na sua cidade para um trabalho. Quer ver os meus documentos?
                Jamile se virou e o olhou com raiva, mas não disse nada.
                Pablo sorriu.
                Foi só então que ela notou o quanto aquele rapaz era bonito. Alto, moreno e forte. O sorriso dele refletia nos olhos escuros fazendo com que brilhassem ainda mais.
                Jamile se rendeu.
                Desde então os dois não se desgrudaram mais.
                Quatro semanas se passaram, foi o tempo que ele precisou para desvendar o caso e então o chamaram de volta para a cidade dele.
                Jamile parou ali na rodoviária e as lágrimas começaram a correr nos seus olhos.
                Então era isso, quatro semanas e ele já tinha transformado a sua vida por completo.
                E agora? Ele iria embora e talvez aquilo fosse mesmo um adeus.
                _Jamile? – Uma voz a chamou.
                Jamile se virou surpresa ao ver Pablo ali, nos olhos dele lágrimas apagavam o brilho antes existentes.
                _Eu perdi minha bolsa, senhora. Vocês deviam colocar uma placa...
                Ela correu até ele e o abraçou chorando.
                _Eu não posso ir embora... – Pablo disse. – Quem vai cuidar de você?
                Jamile riu ao mesmo tempo em que chorava:
                _Eu preciso de você!
                _Ótimo. Por que agora você me terá para sempre!
                Ele então a beijou. O primeiro de muitos que ainda viriam.

"Se eu for embora agora quem vai te proteger ?
Quem vai te entender? Quem vai te dar carinho ?
Se eu for embora agora quem vai te ajudar,
A enxergar que amar é dar e receber ?
Se eu for embora quem vai te abraçar ?
Se eu for embora quem vai te beijar ?
Quem vai te dar amor?" ♫♫

(Se eu for embora - D'Black)


                                                                         Tânia Tamires
                                                               No Silêncio do Teu Olhar


Feliz dia da mulher!!!!  =D

2 comentários:

  1. oooooh my Good!
    eu quase morri.. rs'
    pana que na vida real.. ele teria ido =/

    beijos, beijos.

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